domingo, 6 de novembro de 2016

Ideias prematuras

Voltei. Mesmo sem ter ido. Estive, sempre alerta, ávido pelas ideias que brotam, mas não crescem o suficiente para se materializar. Não seria exagero dizer que o desejo de escrever é inversamente proporcional a frequência com a qual os textos nascem. Como um bebê prematuro, algumas ideias, têm dificuldade de sobreviver. Lutam, na incubadora da mente, em meio ao tempo, na esperança de um dia florescer.

"Tristeza eu tenho porque muitas das coisas que moram na minha alma não podem ser comunicadas. Por mas que eu diga e explique, quem ouve não entende"
/Rubem Alves/

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Correr nem sempre é fugir

Acredito que qualquer pessoa da minha geração (criaturas nascidas nos anos 80) tenha a mínima noção do que seja Pac-Man. No tempo em que os video-games não eram tão sofisticados, pessoas passavam horas se divertindo com uma bolinha amarela comendo pontinhos numa tela quadrada. Todavia, a medida que o tempo passava, a dificuldade aumentava devido a bichinhos que corriam (cada vez mais rápido) atrás de nosso amigo amarelo, que precisava desenvolver estratégias para não ser pego. Eis que os anos passaram e, finalmente, percebo como temos coisas em comum com Pac-Man. A diferença é que, enquanto, nosso velho amigo corria de bichinhos, corremos dos problemas da vida, muitas vezes, tão velozes como os inimigos que perseguiam nosso velho amigo. E não adianta ser muito famoso, ter uma conta bancária privilegiada, ser bem sucedido profissionalmente. Estaremos sempre rodeado de problemas. Uns menos, outros mais. E depois de uma vida inteira brincando de ser o próprio Pac-Man, me pergunto como alguns continuam seguindo em frente, dia após dia. E só consigo pensar em uma coisa: há uma diferença significativa entre correr e fugir. O que deve ser mais que suficiente para separar aqueles que seguem em busca dos pontinhos amarelos, dos que serão pegos na próxima curva.

"Lembre que hoje vai ter pôr-do-sol
Esqueça o que falei sobre sair
Corra muito além da escuridão
E corra, corra!"
/O amanhã colorido - Cidadão Quem/

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Norte

Quando voltar no tempo não é uma opção, a rosa dos ventos aponta para o norte. Sinalizando o momento de seguir as setas que, talvez, escritas com giz, a chuva apagou. Não da pra cobrar do futuro aquilo que o passado levou. Muito menos, confundir seguir e sentir. A ponto de não distinguir a sutil diferença entre respirar e ancorar.

"Passado é referência, não é direção"
/Mario Sergio Cortella/
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