quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Linha reta

Pensou que faltaria ar.
Não havia muito o que fazer.
Prendeu o ar, apagou as luzes.
E partiu sem olhar para trás.

"São águas passadas
Escolha outra estrada
E não olhe
Não olhe pra trás"
/Capital Inicial/

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Despedidas

Detesto despedidas. Como se nuvens escuras encobrissem o Sol, sinto o tempo mudar. Há sempre o que dizer, ainda que nem sempre encontre as palavras certas. Da mesma forma, não processo todo som que chega aos ouvidos. Estou hipnotizado pelo barulho do sino, o prenúncio, de que aproxima-se o momento do trem partir. Como um maquinista impaciente, o tempo não ajuda nesse instante. O trem deixa a estação. A vida segue em frente. E, cedo ou tarde, nos acostumamos com o novo destino.

"Adeus também foi feito pra se dizer"
/Guilherme Arantes/

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

200

Ei! Você! Sim, você do outro lado, sabe lá onde. Você que me acompanha, e mal sei a razão. Você que se identifica com o que vê por aqui, seja porque entende, concorda, questiona. Não escrevo apenas porque me faz bem, compartilho as ideias porque você esta aí. Do contrário, poderia escrever num mero caderno, que uma hora qualquer ficaria largado, acumulando poeira. Obrigado por me acompanhar, por me deixar entrar.

"O que escrevo não é o que tenho; é o que me falta"
/Rubem Alves/

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Segurem as cortinas

O palco do professor é a sala de aula.
Não para brilhar como um artista famoso.
Os grandes professores que tive não eram reféns do ego.
Brilhavam por algo maior.
Para iluminar o caminho dos demais.
Na esperança das cortinas nunca fecharem.

"Não somos movidos por ideias, somos movidos por sentimentos. A transformação da educação passa por dentro dos pensamentos e dos sentimentos dos professores. O professor é o ponto central de qualquer programa de transformação do ensino brasileiro"
/Rubem Alves/



quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Vento e ventania

Crianças e jovens têm a capacidade de despertar a minha atenção com impressionante facilidade. Conseguem ser extremamente desinteressados com questões que deveriam lhes chamar a atenção. Por outro lado, são altamente criativos, críticos e talentosos (quando assim desejam). Se vejo muitas oportunidades desperdiçadas, também, percebo que há uma válvula de escape para as gerações vindouras. Afinal de contas, o vento que destrói, é o mesmo que refresca.

"A juventude é uma banda 
Numa propaganda de refrigerantes"
/Terra de gigantes - Engenheiros do Hawaii/

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Crianças

Amo crianças! E não é por uma única razão, e sim, por inúmeros fatores. Talvez, porque são autênticas, não fazem média conosco, gostam ou não. Além disso, são alegres, esperançosas, sensíveis, carinhosas... Ser criança é tão importante, que podemos (ou devemos) retornar a esse estágio em diversas situações, mesmo depois que as barbas crescem e as rugas surgem. Lembro, claramente, do meu pai dizendo: Você tem sangue doce pra criança. Quando adolescente, andava com uma renca de meninos pra cima e pra baixo. Já em outros momentos, demonstrava certa habilidade para lidar com crianças de colo. É bem provável, que através desse convívio com os pequeninos, tenha encontrado o meu jeito de não deixar de ser criança. O que me leva a acreditar que a criança de outrora, não nos abandona. O que não significa que não será abandonada, por nós mesmos, numa esquina qualquer. Cada um é responsável pela sua própria criança, inclusive a interior.

"As crianças que moram em nós são eternas. Não envelhecem. Tal como acontece nos gibis. (...) Assim, a gente vai ficando velho por fora, as linhas do rosto marcando a verticalidade. Mas é só a criança acordar para que o rosto velho se ponha a brincar ..."
/Rubem Alves/

sábado, 10 de outubro de 2015

Malas prontas

Os incomodados que se mudem! Bem que eu tentei, mas os seres o espaço não atenderam ao meu apelo (Vida inteligente). E olha que a descoberta de água corrente em Marte me deixou mais animado. As malas estão prontas, agora é com vocês. É só entrarem com a hospedagem, que o café é por minha conta. Prometo não causar problemas. Muito menos, ensinar o caminho.

"Ô, ô, ô seu moço
Do disco voador
Me leve com você
Pra onde você for"
/Raul Seixas/

terça-feira, 1 de setembro de 2015

"Partilha"

Toda vez que sou tocado com a dor do outro, percebo que o tempo não enrijeceu (pelo menos, não totalmente) o meu coração. É quando entendo que ainda me sinto parte desse todo que insisto em criticar. A dor do próximo é de alguma forma minha, afinal, há momentos em que sou o outro. Se a dor nos certifica de que não somos inabaláveis, é também, uma forma de dizer que algo ainda pulsa internamente. Então, percebo que há uma linha tênue que separa sofrimento e esperança. 

"Os que bebem junto da mesma fonte de tristeza descobrem, surpresos,
que a tristeza partilhada se transforma em comunhão"
/Rubem Alves/

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Blá blá blá

Curiosamente, os que muito falam são os que, geralmente, menos produzem. Talvez, porque enquanto palpitam, outros se desdobram realizando o trabalho. Quem pouco (ou nada) fez tem sempre um comentário a fazer, que muitas vezes é negativo. Todavia, quando o assunto é produtividade a história é outra. Há sempre gente empolgada ditando normas, e um grupo focado na execução das tarefas. É assim na organização de uma festa, na hora de cozinhar, no trabalho. Quem tem iniciativa chega e faz, não precisa de muita conversa. O resultado pode não ser o melhor, mas é dessa forma que aprendemos. Tentando, errando, refazendo. É escutando, observando, pensando e agindo que as coisas tomam forma, saltam do imaginário para o plano real. Bons resultados não são obra de magia ou acaso, mas de planejamento, organização e execução. Verbalizar, obviamente, é importante! Porém, desprovidas de atitudes, palavras não passam de palavras. Afinal, falar é fácil, até papagaio fala!

"E os que não fazem nada, nunca se enganam" 
/Théodore de Banville/ 

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Etiquetas

Ocasionalmente, observo pequenos arranhões nas pernas ou braços. De alguma forma, me arranhei, e quando dou conta, não tenho a menor ideia de como isso aconteceu. Só não me recordo de, inconscientemente, ter sido etiquetado. Sim, estou falando de etiquetas, dessas que são colocadas em produtos. Hoje, curiosamente, uma etiqueta surgiu no meu cotovelo. Não me pergunte como isso ocorreu, afinal, só percebi porque um colega do trabalho sinalizou. Claro que não perdi o bom humor, mesmo quando notei que o valor que constava na etiqueta não passava de R$ 3,50. A única dúvida, era se o preço correspondia a unidade ou ao quilo de Wagner. Deixando o inusitado de lado, e sem a necessidade de uma imaginação tão fértil, é possível ter a sensação de que muitas vezes somos verdadeiramente tratados como mercadoria. Há sempre alguém preocupado em saber quantos irão votar, comprar, produzir... É chato aceitar, mas tem sempre alguém querendo lucrar com o nosso suor, ainda que você não esteja etiquetado. Por outro lado, nem sempre estão preocupados com o que sentimos, pensamos, necessitamos. Assim sendo, talvez, não demore a chegar o dia em que as pessoas não sejam mais batizadas com nomes, e sim, com códigos de barras. Pensando bem, no mundo em que valores morais "perdem" facilmente para os valores comerciais, me resta apenas uma dúvida: R$ 3,50 é um bom valor de mercado?

"Eles querem te vender 
Eles querem te comprar
Querem te matar (a sede)
Eles querem te sedar"
/3ª do plural - Engenheiros do Hawaii/

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Heróis

Não acredito em heróis. Acredito em heróis. Como isso é possível? É fácil de entender. Não acredito em heróis com super poderes, aqueles, que são dotados de uma estupenda força, podem voar e vivem salvando o mundo das mais inusitadas catástrofes. Seres que poderiam, de alguma forma, mudar o destino desse mundo louco em que vivemos. Confesso, alguns deles, chamam a minha atenção nas telinhas, porém, não passam de homens ou mulheres (ou algo próximo disso), com roupas coloridas, salvando um mundo que não é o meu/nosso. Todavia, ironicamente, acredito em heróis de carne e osso. E acredite, são tão reais quanto os heróis da televisão. Não posso afirmar que são detentores de poder. Entretanto, posso afirmar que são especiais. Se a força deles não é descomunal, em contrapartida, são capazes de nos tirar do fundo do poço. No lugar da visão de raio-x, encontra-se um par de olhos, capaz de enxergar que há algo errado conosco. É quando, fazem uso da super audição, escutando tudo e mais um pouco, a ponto de diminuir a força daquilo que nos atormenta. Acredito em heróis, em crianças, jovens, homens, mulheres que humanamente podem tornar o nosso dia melhor, sem fazer uso de força ou genialidade. Porém, estão sempre "armados" com um sorriso, um abraço, uma palavra.

"There goes my hero
Watch him as he goes
There goes my hero
He's ordinary"
/My hero - Foo Fighters/

terça-feira, 28 de julho de 2015

Força invisível

O amor não morreu.
Sim, às vezes, é difícil acreditar.
Todavia, ele se mantém ali, firme e forte.
Nem sempre visível aos olhos, porém, acessível.
Não importa quando, como, onde.
No ato de compaixão ou empatia.
No olhar, falar, silenciar.
Presente no sorriso e/ou choro, seja, junto ou separado.
O amor nunca está fora de moda.
Não importa o que digam, o que pensem.

O amor não morreu.
Ele é mais que um sentimento.
É ação!
E, ninguém, está imune a essa força.
Não adianta fugir, ele é contagioso.
Suave como um sopro.
Forte como um furacão.
Assim é o amor.
Difícil de definir.
E, uma vez vivenciado, difícil de abrir mão.

"Não há guarda-chuva contra o amor"
/Titãs/

domingo, 12 de julho de 2015

Carrossel

O carrossel é divertido.
Girar, girar, girar.
Ver o mundo em movimento.
Só que o tempo passa, a gente cresce.
O carrossel fica pequeno.
Talvez, rápido demais.
E, o outrora improvável, acontece, resolvemos descer.
Luzes, sons, risos.
Nada mais é atraente.
O carrossel não perdeu o encanto.
Você é que está cansado de girar.

"Quero viver diferente
Que a sorte da gente
É a gente que faz"
/Novos rumos - Paulinho da Viola/

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Eterno desconhecido

"Só eu sei quem sou. Os outros me imaginam.", era o que estava escrito na mensagem postada em uma famosa rede social. O pensamento, se assim posso dizer, faz bastante sentido. Todavia, não sei se é totalmente verdadeiro. Por vezes, não sabemos o que somos, olhamos no "espelho" e temos dificuldade em reconhecer o que vemos. Tudo o que deveria parecer comum soa estranho aos nossos sentidos. A comida predileta não agrada o paladar. A música favorita não nos permite viajar. O canto dos pássaros perde o encanto. Todas as nossas certezas, por um instante, parecem não ter mais significado. E de repente, percebemos que não nos conhecemos tão bem assim. É estranho, isso, quando não é assustador. Você não é você, mesmo tendo a certeza que é você. Eu sei, é confuso! Todavia, parece inevitável, as dúvidas fazem parte do processo de conhecimento. Afinal, se viver é uma constante descoberta, não seríamos nós (seres que mal se reconhecem), exceção a regra.

"Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto"
/O teatro dos vampiros - Legião Urbana/

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Fruto bichado

Dizem que o fruto não cai longe do pé. Assim sendo, imagine uma criança que acabou de aprender a engatinhar. Podemos esperar que dentro de instantes ela esteja correndo? Obviamente, não! Partindo desse exemplo, é possível compreender porque não devemos esperar educação de quem não a recebeu. Como cobrar gentileza, respeito, lealdade de quem desconhece o sentido dessas palavras? Enfim, às vezes, quem parece ser o "algoz", é também a vítima. Logo, não merecem o nosso desprezo, e sim, a nossa compaixão, mesmo que isso signifique permanecer em silêncio.

"De onde menos se espera
Dali mesmo é que não vem"
/Além da máscara - Pouca Vogal/

sábado, 16 de maio de 2015

Cansado

O cansaço nem sempre é físico, pode ser mental. Como, também, pode ser um combinado das duas coisas. Estou cansado! Na verdade, é mais que isso, estou cansado de ficar cansado. Às vezes, tentar é mais cansativo do que de fato fazer. Gosto de ensinar, e de preferência, pra gente disposta a aprender. Gente que pensa, questiona, acerta, erra, transforma. Não gosto de tentar ensinar, isso cansa, o corpo e a mente. Muito menos, perder tempo com gente desinteressada. Infelizmente, é impossível não lidar com os dois lados da moeda. Todavia, não me canso de ensinar. Tampouco de continuar aprendendo. 

"Só desperta paixão de aprender, quem tem paixão de ensinar"
/Paulo Freire/

terça-feira, 12 de maio de 2015

Menos é mais

Menos é mais. Às vezes, tenho a impressão de que isso é quase uma regra. Onde, a medida que aprendemos a lidar com o pouco, começamos a aceitar melhor as coisas, e consequentemente, viver melhor. Basta analisar algumas situações do nosso cotidiano. De todas as pessoas que você conhece, a menor parte, será de sua inteira confiança. Quase sempre, temos menos dinheiro do que julgamos necessário para fazer as coisas que precisamos e/ou gostaríamos. O tempo para gozar das coisas boas da vida sempre é menor, do que aquele que passamos trabalhando, solucionando problemas, cuidando da saúde. E por aí vai... inúmeras coisas poderiam se encaixar nesse modelo. Não faz algum sentido? Então, aprendemos algo errado, já que desde cedo, nos dizem que precisamos ter, conquistar, comprar? E dessa forma, enquanto, boa parte da sociedade está mais preocupada com a quantidade, há quem acredite que menos é mais. É o que eu prefiro acreditar, pensar que precisamos de menos do que julgamos necessário. Afinal, nascemos e morreremos com pouco.

"Pensamos tanto no amanhã 
Mas não sabemos
Que ele virá e nos levará 
Como viemos

Pobre e nu, sem mala pra arrumar
Nu, sem roupa pra usar
Nu, sem carro pra andar
Nu, de volta ao pó"
/Escravos do porvir - Fruto Sagrado/

domingo, 10 de maio de 2015

Mais uma primavera...

"Mais uma primavera", como diz o meu pai. Sabe que essa brincadeira de ficar mais velho, não é tão ruim assim. Tudo bem, o corpo fica mais calejado com o passar do tempo. Os cabelos brancos vão surgindo, um após o outro, sem pedir a nossa permissão. A coluna e os joelhos começam a se queixar... Resumindo, o corpo já não é o mesmo de outrora. Entretanto, tenho a ligeira impressão de que aos poucos, vamos entendendo o que é a vida. Compreendendo o que realmente importa. Nunca na totalidade, não temos tamanha percepção. Somos crianças crescidas, nada mais que isso. Sabemos mais, mas entendemos menos. Quando crianças, éramos mais objetivos, o que nos tornava menos distraídos. A verdade, é que as crianças sabem o que é celebrar um aniversário, não estão preocupadas com quantas velas estarão no bolo. Enfim, todo dia/ano temos uma nova chance de agradecer. Nem sempre pela vida que um dia esperamos ter. E sim, pela vida que levamos. É o que temos para hoje, e talvez, para os próximos 364 dias. "Mais uma primavera", como eu aprendi a dizer. Mais uma chance de ser grato, ao Deus, que se fez presente todos os dias. E não apenas na hora de cortar o bolo.

"Antes que se curvem as minhas costas 
Antes que se cansem os meus pés (...)

Antes que se fechem os meus olhos 
E houver espanto pelo chão (...)

Eu vou me lembrar
Deus, eu vou me lembrar"
/Antes - Resgate/

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Campo de batalha

Como estamos não define o que somos. E, honestamente, é muito bom acreditar nisso. Seguindo esse raciocínio, podemos imaginar que uma pessoa extremamente gentil, por vezes, foi/é grosseira. O que poderia confirmar (ou não) a ideia inicial. Entretanto, acredito que como estamos, define como seremos amanhã. Isso sim, é preocupante! Dessa forma, a pessoa gentil de hoje, pode não ser uma companhia tão agradável no futuro. E assim, vivemos em conflito. De um lado, o que almejamos ser. Do outro, tudo que queremos "descartar". Numa eterna guerra, onde somos, os reféns, e ao mesmo tempo, os generais.

"Somos o que fazemos, mas somos, principalmente,
o que fazemos para mudar o que somos"
/Eduardo Galeano/

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Oco

Incrível o estrago que o vazio pode fazer. Seja na mente ou no coração. O que é no mínimo contraditório, se considerarmos vazio como ausência de conteúdo. Logo, esse vazio não é tão vazio! O que nos leva a uma certeza, esse espaço pode/deve ser preenchido. A dúvida, é como que fazer isso?

"Mesmo onde você enxerga o vazio, pode ter gente dentro"
/Martha Medeiros/

domingo, 19 de abril de 2015

Intolerância aos intolerantes!

Religião. Classe social. Gênero. Etnia. Cultura. Orientação sexual. Futebol. Política... Pra quem é estúpido, ao ponto de insultar, agredir, matar quem não compartilha da sua opinião/condição, qualquer coisa é razão para discórdia. Viver num mundo onde se é morto por ser pobre ou rico, preto ou branco, cristão ou muçulmano, homo ou hetero, direita ou esquerda... me leva a questionar sobre a nossa tão venerada racionalidade. Mais do que a intolerância, a imbecilidade de alguns seres humanos me impressiona. Seja pela falta de sensibilidade, ou pelo simples fato de não compreenderem que "mais do mesmo" não faria do mundo um lugar melhor.

"Os seres humanos me assombram. (...)
Mas o que me assombra mais não são as coisas que dizem.
São os pensamentos que eles pensam"
/Rubem Alves/

terça-feira, 14 de abril de 2015

Novidades

Me conte uma novidade. Pode ser o que quiser, desde que seja algo positivo, bom, próspero. De mazelas já estou farto, e se quisesse escutar lamúrias, assistiria a um telejornal. Por sinal, se não está interessado em estragar um dia maravilhoso, não leia os jornais. Desconectar do mundo que nos é imposto, dia após dia, não é tão ruim assim. Tenha olhos para ver o que de belo há na natureza, interaja com uma criança, encontre tempo para desfrutar do silêncio. Pequenas coisas que fazem muito a diferença, e ajudam a recarregar as baterias, para amanhã, encarar novamente esse mundo louco. Me conte uma novidade. Pode ser o que quiser, desde que seja puro, verdadeiro, contagiante.

"E aí? Como é que vão as coisas?
Me conta as novidades, começando pelas boas
É, o tempo voa, eu sei, é sempre assim
Começa pelas boas que já soube há muito tempo das ruins"
/Sem Neurose - Gabriel, o Pensador/

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Aljava

Aljava é o recipiente onde os arqueiros guardam as suas flechas. Arrisco dizer que, a aljava, é tão importante quanto o arco e  flecha. É ela que permite ao arqueiro errar um disparo, já que irá dispor de mais flechas. Não é diferente conosco, temos direito a inúmeros "disparos" ao longo da vida. E se não temos aljavas, dispomos de algo semelhante, a coragem. Afinal, é na coragem que podemos concentrar os nossos disparos, depositar as nossas "flechas". Se fosse um guerreiro, no sentido literal da palavra, possivelmente adotaria o arco e flecha como instrumento de combate. Talvez, por saber que é a coragem de realizar um novo disparo, caso seja preciso, que nos permite acertar o alvo. Acertar o alvo não é apenas uma questão de mira, é também, um ato de coragem. Onde tem depositado as suas flechas? Como anda a sua aljava?

"Miramos acima do alvo para atingir o alvo"
/Ralph Waldo Emerson/

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Interesse desinteressado

O segredo para construir uma boa relação é muito simples. Não há segredo, ela simplesmente acontece, de forma espontânea. Muitas vezes, contrariando a lógica, o senso comum, as diferenças. O problema, é que no mundo em que ter dinheiro é o mais importante, se relacionar, constantemente fica em segundo plano. Assim, surgem relações instantâneas e/ou superficiais, que não buscam intimidade, mas benefícios. Boas relações também não são ditadas por prazos ou normas, afinal, não são receitas ou construções. As verdadeiras relações são frutos de proximidade, de um interesse desinteressado. Quando a nossa preocupação não está nos benefícios, e sim, no outro. 

"Somente a proximidade gera intimidade"
/Ed René Kivitz/

domingo, 5 de abril de 2015

Genuíno amor

A Páscoa é mais que um feriado. Também, não é apenas o período para se entupir de chocolates. A Páscoa é a representação do amor, na sua forma mais pura e genuína. É a prova do amor que transcende todo entendimento e compreensão, e ainda assim, pode ser vivenciado. Amor que é muito mais do que palavras bonitas, é ação.

"Vou buscar no amor 
O Deus que poucos querem ver
Deve estar no amor 
O Deus que a gente não mais vê"
/Onde Ele Está? - Fruto Sagrado/

quarta-feira, 1 de abril de 2015

A verdade sobre coelhos e chocolates

Na categoria de animais fofos, golfinhos e coelhos estão no topo da lista. Basta colocar a figura de um deles nas aulas de Ciências, e aguardar suspiros e sorrisos, quase sempre vindo das meninas. Não tenho queixas a respeito dos golfinhos (nem mesmo do boto, que há tempos, leva a culpa por delitos que não cometeu). Já dos simpáticos animaizinhos de orelhas avantajadas, não posso dizer o mesmo. Houve um tempo em que os ovos de chocolate sobravam (não por muito tempo, é verdade). Lembro de uma Páscoa em que ganhei um ovo enorme (5 kg, se a memória não falha), daqueles que ao primeiro contato, você não sabe se abre, comemora, agradece. Porém, a medida que os anos foram passando, os chocolates foram misteriosamente desaparecendo. Não sei ao certo a razão, embora, tenha as minhas suspeitas. Quem sabe não seja a minha estatura, não sou mais "pequenino", embora, também não seja tão grande assim. Ou seria o fato de que a maioria das entregas ocorreram quando ainda morava em São Paulo? A questão é que deixei a cidade a mais de 15 anos, e em tempos de altíssima tecnologia, me recuso a acreditar que "eles" não tenham acesso ao meu atual endereço. Por fim, a justificativa de não ser mais criança, não tem cabimento. Ser criança não é apenas questão de idade, mas também, de espírito. Sendo assim, também deveria ser contemplado, uma vez que conheço jovens que gozam de tal benefício, mesmo aparentando 90 anos de idade. Resumindo, coelhos são injustos! Fazem um ótimo trabalho nos primeiros anos de nossas vidas, e de repente, somem. Sim, mas onde quero chegar? Na verdade, não espero explicações. Tampouco, irei solicitar qualquer intervenção do rei da selva. Quero chocolates! Dessa forma, se uma criatura peluda e simpática aparecer por aí, faça me um favor, diga a ele que não se esqueça (mais uma vez) da minha pessoa. Pode dizer que não sou tão rancoroso, e que estou disposto a fazer as pazes. Afinal, nunca é tarde demais para se receber chocolates.

"Tudo que você realmente precisa é amor, e um pouco de chocolate"
/Lucy van Pelt/

quinta-feira, 26 de março de 2015

?

O segredo nem sempre está nas respostas.
Muitas vezes, o trunfo está nas perguntas.
Leva um tempo para descobrirmos (ou não) isso.
Entendermos que algumas perguntas não precisam ser respondidas.
E, às vezes, a pergunta diz mais que a própria resposta.

"É arriscado fazer certas perguntas, e ainda mais arriscado tentar responder a elas"
/John Lennox/

quarta-feira, 25 de março de 2015

Infinito azul

Como diria Calvin, "Sou uma pessoa simples com gosto complexos". Um bom exemplo, é a minha paradoxal relação com o mar. Ir a praia, certamente, não é uma das minhas atividade favoritas, mesmo assim, sou fascinado pelo mar. Aquele imenso tapete azul, que consegue dizer muito, no mais profundo silêncio. Se o mar é mistério, também é paz e calmaria. Não é preciso mergulhar, basta um simples olhar, apenas contemplar.

"Dá vontade de ficar, 
De morar, demorar vendo o mar"
/Dolores - Crombie/

quinta-feira, 19 de março de 2015

Espinhas & fraldas

O mesmo adolescente que não suporta ser chamado de criança, insiste em não largar a chupeta, a mamadeira, as fraldas. O tema era o acidente nuclear de Chernobyl (1986). A causa do acidente fica em segundo plano, quando passamos a falar das consequências do desastre. Milhares de mortes, crianças que nasceram deformadas, inúmeras viúvas. Tudo resultado da radioatividade liberada pela usina. De um lado da sala (repleta de adolescentes), vejo pessoas sensibilizadas, dividindo o mesmo ambiente com outras, que acham graça do ocorrido. As mesmas que sempre conseguem formular piadinhas com assuntos sérios como AIDS, câncer, miséria, corrupção. Incrível como tudo é motivo de graça para a grande maioria, que bem ou mal, estará no comando das coisas num futuro não muito distante. Se o adolescente não tem a obrigação de levar tudo tão a sério, já tem ao menos, idade, para começar a discutir certos assuntos. Para refletir, opinar, questionar, intervir. Se é fato que alguns adolescentes conseguem me alcançar com genuína sensibilidade. Outros me deixam perplexos com tamanha imaturidade. 

"Podemos ter um grande talento e sermos estúpidos de sentimentos e moralmente imbecis"
/Miguel de Unamuno/

quarta-feira, 18 de março de 2015

Fazer o que é certo/correto nem sempre é fácil. Também sei, que aquilo que considero correto, pode não valer de nada pra você. Saber o que é certo, também não significa que vamos tomar a decisão mais sensata. O ladrão de banco, sabe que o dinheiro que vai roubar não lhe pertence, e isso não o impede de cometer o delito. Talvez, a justificativa que o levou ao roubo, o faça acreditar que tinha razão para tal ato. O que todo mundo (inclusive ele) sabe que não é verdade. E quando fazer o que é correto, significa colidir com os nossos "superiores" e/ou colegas de trabalho, e você pode ser o traíra  por não se omitir?  No mundo, em que ser honesto, às vezes, é "sinônimo" de ser otário, fazer a coisa certa pode nos deixar confusos. Amanhã, literalmente, é dia de fazer o que é certo. E me questiono: estou pronto para isso? 

"Faça sempre a coisa certa, principalmente quando a coisa certa for a mais difícil"
/Ed René Kivitz/

terça-feira, 17 de março de 2015

Músicas & palavras

O que as pessoas falam não certifica o que de fato são. Já, a forma como falam, imagino que sim. É assim, desde cedo, quando sua mãe sabia se o que você falava era verdade (ou não). As pessoas que nos encantam, não o fazem apenas pelo que dizem, mas também, pela forma como se expressam oralmente. Falar é mais do que escolher palavras. É criar uma melodia, numa determinada frequência, a qual nem todos conseguem sintonizar.

"Moramos na música das palavras. Somos amados não pelo que dizemos, mas pela música com que o dizemos. Preste atenção na sua música"
/Rubem Alves/

sexta-feira, 13 de março de 2015

Intruso

De tempos em tempos, um certo inconformismo me domina. Sei que não sou o único, e que também, não é uma sensação tão rara nos dias atuais. Às vezes, ele é latente como um pulsar, oras na mente, oras no peito. Não restam palavras, ações, expectativas. Sendo assim, tenho a minha própria definição para inconformismo: sensação de que as coisas não estão em seu devido lugar, ou de que talvez, eu, esteja no lugar errado. 

"Não me culpe, eu não sou daqui
Quero encontrar meu lugar"
/Além do Que os Olhos Podem Ver - Oficina G3/

quinta-feira, 5 de março de 2015

Sr. Tempo

O que é o tempo? Poderíamos dizer que é uma daquelas coisas fáceis de entender (será mesmo?), porém, praticamente impossível de explicar. Para alguns podem ser um martírio, já para outros, um presente. Se o tempo fosse uma pessoa, certamente, seria um idoso. Um senhorzinho de idade. Daqueles que diz: "Calma meu filho, não é o fim do mundo, você tem uma vida inteira pela frente." Do tipo vizinho-vovô, que nos viu crescer e um dia disse: "O tempo não para, meu garoto, corre atrás do que lhe interessa." Aquele velhinho de cabelos brancos, bengala, que muitas vezes não damos atenção. Mas sabemos que sempre tem algo importante a dizer. 

"Quase tudo é temporal
Temporal porque está sujeito
Ao sujeito chamado Tempo
Que é mais que momento"
/Sobre o Tempo - Crombie/

quarta-feira, 4 de março de 2015

Verdades (?)

Tenho um pé atrás (quando não os dois) com gente que faz das próprias opiniões "verdades universais". A História mostra que não muito raramente muitos pagam pelas escolhas de poucos. Isso não significa que não tenha algumas convicções, obviamente, tenho as minhas certezas. Agora, se elas fazem algum sentido, isso já é uma outra história.

"Os fanáticos são pessoas honestas que acreditam nos seus pensamentos e nada os dissuade do seu caminho. E porque acreditam na verdade dos seus pensamentos tudo fazem para destruir aqueles que têm ideias diferentes"
/Rubem Alves/

terça-feira, 3 de março de 2015

Hiato

Estive um tempo fora do ar. Mais precisamente dois meses. Na verdade, não fui muito longe, estive sempre por "aqui". Andando em círculos, desatando nós, desafiando o silêncio. Pensando em escrever, porém, sem condições de dar forma aos pensamentos. Deve ser o que as bandas chamam de hiato, uma pausa, jamais um fim. Afinal, se escrever não tem sido fácil, não escrever seria muito pior. Resumindo, senti falta disso. De escrever. De atravessar a ponte que nem sei onde pode me levar. Tem alguém aí? Do outro lado? Espero que sim.

"Quem constrói a ponte não conhece o lado de lá"
/Novos Horizontes - Engenheiros do Hawaii/

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