sexta-feira, 24 de março de 2023

Profundidade

Algumas coisas nos marcam pela ação, e não pela intenção. Não é sobre o tamanho, mas sobre a profundidade. Parece confuso, não é mesmo? E, talvez, realmente seja confuso. Afinal, se parte do que nos completa é ordem, a outra parte é confusão.


"Incômodo é aquilo que eu não consigo encontrar lugar dentro de mim"
/Natália Sousa - Para dar nome às coisas/

domingo, 21 de junho de 2020

Parafusos

Parafusos são peças de funcionamento muito simples. Quando "apertados" na medida certa servem para fechar, prender, sustentar... Porém, quando pressionados mais do que o ideal, deixam de funcionar corretamente. É assim com os objetos, é assim conosco. Parafuso que aperta muito não serve, espana! E quando isso acontece, deixa de ser útil, não soma, subtrai. Quando espanados, parafusos ou ideias, de nada servem!

"Teu parafuso a menos
É o tempero que te destaca
De um monte de prego"
/Parafuso a menos - Supercombo/

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Dupla esperança

Tempos difíceis em que até mesmo a esperança caminha com dificuldades. Com uma perna a menos, o inseto, entrou pela janela. No exato momento em que lia uma poesia intitulada "Sempre haverá esperança" do poeta Bráulio Bessa. Então, observei a esperança que, pela parede, se arrastava. E que mesmo com  alguma dificuldade não deixava de tentar, como quem aos poucos se adapta a uma nova realidade. E, por um instante, tive a sensação de que mesmo quando surgem empecilhos que dificultam o caminhar, a esperança, quando impulsionada pela perseverança, nos leva a algum lugar.

"Enquanto você sorrir 
por uma boa lembrança, 
enquanto você lutar 
com uma força que não cansa, 
enquanto você for forte, 
há de haver esperança"
/Bráulio Bessa/

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Memórias

O tempo é mais que dinheiro, pois quando bem empregado permite vivenciarmos boas relações. Coleciono memórias. Porque são as lembranças que me permitem ter a sensação de que investi bem o tempo que a vida me deu.


"É impossível conhecer uma pessoa, diretamente. 
Mas é possível conhecê-la por aquilo que ela guarda."
/Rubem Alves/

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

De onde vem o texto?

De onde vem o texto?
Essa é a pergunta que não quer calar.
Porque estou sempre a procurá-lo.
Como um pássaro livre que pousa na janela toda manhã.
E chega na hora que bem entende.

De onde vem o texto?
Talvez venha de fora.
Seja dos relatos que ouço ou do café compartilhado.
Dos livros que leio, das músicas que me embalam.

De onde vem o texto?
É possível que brote por dentro.
Como nos desabafos que faço.
Ou quem sabe seja fruto daquilo que vejo.
Resultado do riso ofertado, do choro represado.

De onde vem o texto?
Possivelmente, de coisas que sinto.
Da caminhada sem rumo.
Do silêncio que ensurdece ou do barulho que pode inebriar.
Das respostas que não tenho.
E culminam numa incerteza que ora paralisa, ora impulsiona.

De onde vem o texto?
Inegavelmente da forma sútil como a vida pode ser mais leve.
Seja através canto dos pássaros, pureza das crianças, o vento que sobra.

De onde vem o texto?
Será que daquilo que machuca? Ou daquilo que alivia?
De muitos lugares, múltiplas formas e momentos incertos.
De um jeito que não sei explicar.
Porque é ele quem sempre me encontra, e não o contrário.

"De onde vem a canção?
Quando se materializa
No instante que se encanta
Do nada se concretiza
De onde vem a canção?
Pra onde vai a canção?"
/De onde vem a canção - Lenine/

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Joelhos & rodas

Nada como uma queda de bicicleta para nos ajudar a relembrar a infância. Dos tempos em que o joelho estava sempre ralado, mas nos levantamos após cada queda, instantaneamente, e voltávamos ao jogo. A queda é inevitável, não adianta lutar contra a gravidade. Seja a da vida, seja a da Física. De todo modo, cada queda nos permite a chance de analisar o que nos leva ao chão. E, consequentemente, a oportunidade de seguirmos em frente. Os caminhos são feitos de pegadas, mas em meio a rastros de joelhos ralados. 

"When the wheels come down
When the wheels touch ground
And you feel like it's all over
There's another round for you"
/Wheels - Foo Fighters/

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Vácuo

O mundo gira e, querendo ou não, vamos juntos. Entre, órbitas, satélites, estrelas, vácuo. É a ciranda da vida. Onde quem, ontem, brincava na roda, hoje, apenas acena distante.

"... essa parada de sentir saudade de uma coisa que você nem sabe o que é"
/Emicida/ 

domingo, 26 de maio de 2019

Incompletude

Parte é sobre o que se pensa.
A outra parte sobre o que se diz.
Só que essas duas partes não formam um todo.
Há sempre algo que sobra.
Tem sempre alguma coisa que falta.

"Tem demais, mas sempre falta
Sempre mais, mas sente falta"
/Infinito Oito - Nando Reis/

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Sobre medo, raios e um senhor de óculos escuros

O mundo é cheio de acasos. Todavia, tenho as minhas dúvidas sobre coisas que acontecem e são tratadas como eventualidades. Enfim, existem certos comportamentos que apresentamos por muito tempo  talvez uma vida inteira  e um dia percebemos que nunca foram planejados, embora, muitos deles sigam um determinado padrão e/ou coerência. No meu caso, uma coisa que percebi depois de muitos anos, é o hábito de "simpatizar" por aqueles, muitas vezes, preteridos. Como assim? Nos desenhos, quadrinhos, bandas, times... inúmeras vezes, o protagonista não foi o meu escolhido. Talvez, por isso, prefira baixo (a guitarra); meio-campistas (ao invés de atacantes); Shiryu (e não, o chato, do Seya); Pantera Negra (do que o Batman); flocos (sempre melhor que chocolate). E, isso, sempre foi muito perceptivo com os heróis, pois quase nunca era fisgado por heróis dotados de poderes inimagináveis que poderiam destruir o Universo com a ponta dos dedos. Dessa forma, já gostava do Demolidor muio antes dele ganhar extrema visibilidade para o público que não costuma acompanhar os quadrinhos. Sinceramente, nunca tive uma explicação plausível para gosta do Demolidor. Porém, hoje, mais velho (não tanto assim o quanto pode parecer), penso em algo que possa ter me chamado a atenção, a alcunha: "Demolidor - O homem sem medo". Sim, e daí, Wagner? É muito simples! A questão é que todo mundo tem medo, até mesmo os heróis! Seja pelo medo de fracassar, seja por não saber qual a escolha a ser tomada, seja por colocar em risco a mulher amada. Não adianta procurar argumentos, heróis tem medo (e alguns até sangram). E, talvez, isso seja uma das coisas mais legais nos heróis e heroínas, porque são nesses momentos que eles se tornam mais acessíveis, mais humanos. Porque se até um ser dotado de poderes extraordinários pode esmorecer, eu, um mero mortal deveria me sentir mal por passar por tal situação? Afinal, continuo sentindo medo (que insisto em chamar de aflição) quando exposto a raios e trovões, como os que insistiam em cortar os céus enquanto escrevia o texto; bem como de me preocupar se as pessoas que acompanham (será que tem mesmo alguém aí?) o blog acham que ele não faz mas sentindo algum. Insisto, todos tem medo! E, de alguma forma (sem acasos), esse medo que muitas vezes paralisa, também nos move. Sigamos em frente, como o o herói sem medo, que também tem medo.

"Vai em frente, não se rende, não se prende nesse medo de errar
Que é errando que se aprende que o caminho até parece complicado
E, às vezes, tão difícil que você se surpreende quanto sente
De repente que era tudo muito simples
Vai em frente que você entende"
/Sem Parar - Gabriel, o Pensador/

PS: Curiosamente, há algumas moras, morreu Stan Lee, criador do Demolidor, Pantera Negra, Homem de Ferro, Homem-Aranha e muitos outros. E, por mais que isso pareça uma tentativa de homenagem, não é nada disso! Tem muito tempo que pensava em escrever sobre o tema (medo/Demolidor), alguns anos para ser mais específico, e bem de forma inesperada (como boa parte dos textos), algo saiu. Em meio a raios, trovões, medos e outras sensações. Quando comecei rabiscar o papel, nem me recordava que Stan Lee era o pai do Matt Murdock/Demolidor, apenas aconteceu. E, por acaso (ou não), fica o registro e/ou singela homenagem para aquele que, de alguma forma, plantou sementes, que até hoje rendem frutos na minha mente.

domingo, 28 de outubro de 2018

Resistir

Cada um deve lutar por aquilo que acredita.
Acredito que a educação liberta.
Acredito que o amor transforma.
Acredito que o respeito transcende a intolerância.
Segue a luta por dias melhores.

"Saber sofrer é parte da sabedoria de viver"
/Rubem Alves/


domingo, 21 de outubro de 2018

Lost

Na terra da razão, nada mais importa.
Todos ficaram cegos, surdos, embrutecidos.
Só importam as cores, os símbolos, os números.
Deixou de ser pelo pulsar, sentir, ser.
É apenas sobre quem grita mais alto.
Quem é o senhor da razão.
Quando na verdade, todos estão perdendo.

"Nos deram espelhos
E vimos um mundo doente"
/Índios - Legião Urbana/

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Interno

Estou sempre pensando em escrever, bem como tento, escrever aquilo que penso. Gosto dessa tarefa, escrever é uma terapia. Entretanto, não tem sido fácil manter uma frequência, imagino que seja perceptivo. E não é por falta de pensamento, mas pela inabilidade de transcrever para o papel tudo o que fervilha na mente. O que mora no pensamento, muitas vezes, sofre para adaptar-se ao plano físico. Assim, sigo tentando compreender as coisas de dentro, para que elas possam fazer algum sentido aqui fora.

"O que tem dentro só a gente sente
Entende..."
/Labirintite - Supercombo/


sábado, 7 de julho de 2018

Estrelas

Olho além do horizonte, é impossível enxergar o que existe lá.
Distante, tão quanto a imensidão do mar, vejo montanhas e névoas.
Não é o bastante para impedir um singelo feixe de luz.
Deve vir daquelas estrelas que não vejo, mas insisto em procurar.

"Vou sair pra ver o céu 
Vou me perder entre as estrelas"
/Busca vida - Os Paralamas do Sucesso/

sexta-feira, 30 de março de 2018

Canecas & brindes...

Comprou uma bela caneca, que guardou para um brinde especial. Para um dito, momento importante, que nem ele mesmo sabe se irá chegar, bem como o que de fato seria. Esqueceu que brindes não são feitos com canecas, mas com taças. E que cada conquista diária é digna de comemoração, independente da vidraria. Não larga mais a caneca, que antes era apenas um enfeite, esquecido e empoeirado.

"Ah, ah, você se enganou
Ah, ah, se passou a vida inteira
Economizando besteiras
Que nunca vai usar"
/Eterno agora - Duca Leindecker/

domingo, 25 de março de 2018

Amanhã

Podia ser agora, tão certo como pode ser amanhã.
Às vezes, passa perto, bate na trave.
A gente fica triste, como se não houvesse o depois.
Faz parte da vida, faz parte do jogo.
Logo chegará outra manhã.

"Por hoje é só
Vou deixar passar a ventania
Talvez amanhã
Vento, vela e velocidade"
/Pouca Vogal/

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Passageiro

(Re)pousou no meu braço, como quem procura abrigo, um amigo.
Andou, saltou, descansou.
E quando o laço estreitou, entendeu que era hora de partir.
Já no chão, não se distanciou.
Livre, desimpedido para que pudesse ir, ali mesmo ficou.
Pensei em impedir, mas não há amizade que perdure, sem o direito de ir e vir.

"Nowhere man, don't worry
Take your time, don't hurry
Leave it all 'till somebody else
Lends you a hand"
/Nowhere man - The Beatles/

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Playground

O tempo no playground nunca é suficiente. É muito tempo implicando com o sapato vermelho da coleguinha. Muita energia desperdiçada tentando quebrar o carrinho novo do amiguinho. Sobra pouco tempo para a diversão, para gozar do que realmente importa. E no fim, a culpa é sempre do relógio. O tempo no playground nunca será suficiente.

"Eu devia sorrir mais
Abraçar meus pais
Viajar o mundo e socializar
Nunca reclamar
Só agradecer
Fácil de falar, difícil fazer"
/Piloto automático - Supercombo/

domingo, 6 de novembro de 2016

Ideias prematuras

Voltei. Mesmo sem ter ido. Estive, sempre alerta, ávido pelas ideias que brotam, mas não crescem o suficiente para se materializar. Não seria exagero dizer que o desejo de escrever é inversamente proporcional a frequência com a qual os textos nascem. Como um bebê prematuro, algumas ideias, têm dificuldade de sobreviver. Lutam, na incubadora da mente, em meio ao tempo, na esperança de um dia florescer.

"Tristeza eu tenho porque muitas das coisas que moram na minha alma não podem ser comunicadas. Por mais que eu diga e explique, quem ouve não entende"
/Rubem Alves/

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Correr nem sempre é fugir

Acredito que qualquer pessoa da minha geração (criaturas nascidas nos anos 80) tenha a mínima noção do que seja Pac-Man. No tempo em que os video-games não eram tão sofisticados, pessoas passavam horas se divertindo com uma bolinha amarela comendo pontinhos numa tela quadrada. Todavia, a medida que o tempo passava, a dificuldade aumentava devido a bichinhos que corriam (cada vez mais rápido) atrás de nosso amigo amarelo, que precisava desenvolver estratégias para não ser pego. Eis que os anos passaram e, finalmente, percebo como temos coisas em comum com Pac-Man. A diferença é que, enquanto, nosso velho amigo corria de bichinhos, corremos dos problemas da vida, muitas vezes, tão velozes como os inimigos que perseguiam nosso velho amigo. E não adianta ser muito famoso, ter uma conta bancária privilegiada, ser bem sucedido profissionalmente. Estaremos sempre rodeado de problemas. Uns menos, outros mais. E depois de uma vida inteira brincando de ser o próprio Pac-Man, me pergunto como alguns continuam seguindo em frente, dia após dia. E só consigo pensar em uma coisa: há uma diferença significativa entre correr e fugir. O que deve ser mais que suficiente para separar aqueles que seguem em busca dos pontinhos amarelos, dos que serão pegos na próxima curva.

"Lembre que hoje vai ter pôr-do-sol
Esqueça o que falei sobre sair
Corra muito além da escuridão
E corra, corra!"
/O amanhã colorido - Cidadão Quem/

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Norte

Quando voltar no tempo não é uma opção, a rosa dos ventos aponta para o norte. Sinalizando o momento de seguir as setas que, talvez, escritas com giz, a chuva apagou. Não da pra cobrar do futuro aquilo que o passado levou. Muito menos, confundir seguir e sentir. A ponto de não distinguir a sutil diferença entre respirar e ancorar.

"Passado é referência, não é direção"
/Mario Sergio Cortella/
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